Due diligence de terceiros: por que virou prioridade estratégica
Em 2026, due diligence de terceiros deixou de ser um checklist burocrático de contratação para ocupar o centro da governança corporativa. O problema das empresas não é mais apenas com quem elas contratam diretamente, mas com quem passa a operar dentro da sua cadeia sem ser realmente conhecido.
Um novo marco regulatório
O uso de estruturas empresariais para práticas criminosas não é novidade, mas o Brasil deu um passo adiante no combate ao uso de pessoas jurídicas em favor de organizações criminosas. A oficialização da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos cria um novo marco regulatório para empresas nacionais — em especial as que operam com o mercado norte-americano ou realizam transações em dólar.
Organizações criminosas costumam ter estrutura organizacional que lembra muito uma estrutura empresarial, com hierarquia e funções bem definidas. Isso torna a linha entre fornecedor legítimo e estrutura de fachada cada vez mais tênue sem um processo de verificação adequado.
O antídoto para a "cegueira deliberada"
A due diligence funciona, na prática, como antídoto para a chamada Teoria da Cegueira Deliberada. Não existe lavagem de dinheiro culposa — é imprescindível a existência de dolo para reinserir na economia formal ativos oriundos de ilícitos penais. Antes, era comum a defesa alegar que a empresa não tinha como saber a origem dos valores repassados. Com o avanço do compliance no Brasil, essa tese perdeu força: as empresas são obrigadas a permanecer vigilantes quanto a eventual conluio com atividades criminosas.
O que uma due diligence robusta verifica
- Estrutura societária real — confirmação de que a empresa existe de fato, além do registro formal
- Capacidade financeira e técnica dos sócios — avaliação se os sócios têm condições reais de operar o negócio declarado
- Beneficiários finais — identificação de quem efetivamente controla e se beneficia da atividade
- Histórico e reputação — checagem de reputação pública e eventual histórico de litígios ou sanções
- Regularidade das operações financeiras — verificação se os pagamentos ocorrem por canais regulares ou com uso excessivo de espécie
- Estruturas próprias de compliance — se o terceiro contratado também possui mecanismos de prevenção a riscos
Por que isso importa para o seu negócio
A ausência de due diligence estruturada expõe empresas a riscos que raramente se manifestam de forma imediata. Passivos trabalhistas, inconformidades ambientais, violações éticas e fragilidades operacionais em terceiros tendem a emergir ao longo do relacionamento comercial — justamente quando contratos já foram firmados e a exposição já está consolidada.
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