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Compliance · Julho 2026 · 2 min de leitura
ComplianceDue Diligence

Due diligence de terceiros: por que virou prioridade estratégica

Reunião de negócios com aperto de mãos e documentos sobre a mesa
O crime organizado deixou de ser apenas questão de segurança pública para entrar na agenda da gestão empresarial.

Em 2026, due diligence de terceiros deixou de ser um checklist burocrático de contratação para ocupar o centro da governança corporativa. O problema das empresas não é mais apenas com quem elas contratam diretamente, mas com quem passa a operar dentro da sua cadeia sem ser realmente conhecido.

Um novo marco regulatório

O uso de estruturas empresariais para práticas criminosas não é novidade, mas o Brasil deu um passo adiante no combate ao uso de pessoas jurídicas em favor de organizações criminosas. A oficialização da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos cria um novo marco regulatório para empresas nacionais — em especial as que operam com o mercado norte-americano ou realizam transações em dólar.

Organizações criminosas costumam ter estrutura organizacional que lembra muito uma estrutura empresarial, com hierarquia e funções bem definidas. Isso torna a linha entre fornecedor legítimo e estrutura de fachada cada vez mais tênue sem um processo de verificação adequado.

O antídoto para a "cegueira deliberada"

A due diligence funciona, na prática, como antídoto para a chamada Teoria da Cegueira Deliberada. Não existe lavagem de dinheiro culposa — é imprescindível a existência de dolo para reinserir na economia formal ativos oriundos de ilícitos penais. Antes, era comum a defesa alegar que a empresa não tinha como saber a origem dos valores repassados. Com o avanço do compliance no Brasil, essa tese perdeu força: as empresas são obrigadas a permanecer vigilantes quanto a eventual conluio com atividades criminosas.

O que uma due diligence robusta verifica

Na prática: due diligence básica, feita apenas no momento da contratação, já não responde à complexidade das cadeias de suprimentos atuais. O modelo mais maduro é contínuo — reavaliação periódica ao longo de toda a relação comercial, não só na entrada do fornecedor.

Por que isso importa para o seu negócio

A ausência de due diligence estruturada expõe empresas a riscos que raramente se manifestam de forma imediata. Passivos trabalhistas, inconformidades ambientais, violações éticas e fragilidades operacionais em terceiros tendem a emergir ao longo do relacionamento comercial — justamente quando contratos já foram firmados e a exposição já está consolidada.

Fontes: Portal Jurídico Magis, Monitor Mercantil, Inforchannel.