Compliance não é mais coisa só de empresa grande
Durante muito tempo, compliance foi visto como preocupação exclusiva de grandes empresas. Essa realidade vem mudando: organizações de pequeno e médio porte já são cobradas pela existência de um compliance mínimo, tanto por suas próprias práticas quanto pela forma como gerenciam os riscos de sua cadeia de fornecedores.
O mercado passou a exigir garantias de integridade
A adoção de programas de compliance se tornou critério objetivo de avaliação e habilitação em processos licitatórios e contratuais. Isso já acontece, por exemplo, em estatais que exigem comprovação de integridade conforme a Lei 12.846/13, em fundos de investimento e bancos que avaliam risco reputacional de parceiros, e em multinacionais que exigem due diligence de fornecedores e prestadores. Empresas que não conseguem demonstrar conformidade podem ser desclassificadas antes mesmo de apresentar proposta.
Como uma PME pode começar
Muitas pequenas e médias empresas associam compliance a processos complexos e custosos. Na prática, é possível começar de forma bastante objetiva, com critérios claros e consistentes para avaliar parceiros comerciais — o nível de aprofundamento deve variar de acordo com o risco envolvido na contratação.
- Questionários de due diligence — avaliação estruturada antes de fechar com um novo fornecedor ou parceiro
- Código de conduta — documento simples, mas formalizado, orientando o comportamento esperado
- Canal de denúncias — mesmo que simples, funciona como termômetro da saúde ética da empresa
- Cláusulas contratuais de integridade — previsão expressa de conformidade nos contratos com terceiros
- Comprovação de treinamentos — evidência de que a equipe conhece as políticas mínimas de conduta
Compliance como ativo de mercado
Nas negociações comerciais, parcerias estratégicas e operações de investimento, o compliance exerce influência direta sobre a viabilidade do negócio. Bancos, investidores e grandes contratantes já solicitam rotineiramente informações sobre governança, histórico de ocorrências e critérios adotados na gestão de riscos. Para PMEs, iniciar essa jornada com antecedência representa um diferencial competitivo real — não apenas uma obrigação a ser cumprida.
Compliance não é sobre ter políticas guardadas na gaveta. É sobre fazer com que todos entendam, pratiquem e valorizem os princípios éticos da organização no dia a dia.
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